sexta-feira, 31 de março de 2017

131 anos da Comissão Geográfica e Geológica – CGG



A COMISSÃO GEOGRÁFICA E GEOLÓGICA – CGG iniciou suas atividades em 27 de março de 1886, substituindo a Comissão Geológica do Brasil. Ambas tinham como finalidade a prestação de serviços ao governo do Estado de São Paulo, que vivenciava a impulsão do crescimento econômico, decorrente da expansão cafeeira. Com a cafeicultura e o acelerado crescimento econômico da Província de São Paulo, surgiu a necessidade de se conhecer o território paulista. Assim a CGG destinou-se a realizar pesquisas e levantamentos detalhados sobre o solo, clima, geomorfologia, geologia e hidrografia do Estado de São Paulo. O trabalho da CGG revelou-se extremamente importante para o processo de ocupação territorial no interior do Estado.


Entre suas realizações destacam-se as expedições exploratórias aos grandes rios, e, assim como os antigos Bandeirantes, os pesquisadores utilizaram essas vias naturais de transporte para iniciar os levantamentos científicos. Os trabalhos da CGG duraram até 1931, e quase tudo que se realizou na pesquisa (mapas, relatórios, documentos fotográficos, além de equipamentos), passaram a pertencer a diversos órgãos e instituições de pesquisa como o Instituto Geológico, de Botânica, Florestal, Geográfico e Cartográfico, o Museu de Geologia, o Museu Paulista (Ipiranga), e o Instituto Astronômico e Geofísico da USP, dentre outros.

Colaboraram na Comissão, pesquisadores e naturalistas famosos como: Theodoro Sampaio, Albert Loefgren, Orville Adelbert Derby, Francisco de Paula Oliveira, Luiz Felipe Gonzaga de Campos, entre outros.

A Comissão Geográfica e Geológica, em 45 anos de existência, lançou em média duas publicações por ano, colaborando com seus levantamentos no reconhecimento e planejamento do espaço territorial paulista. Deve-se ainda à CGG a aquisição e coleta de parte das coleções que atualmente compõem o acervo do MUGEO.

Publicações disponíveis para download:

quinta-feira, 23 de março de 2017

Instituto Geológico participa da elaboração do inventário geológico do Estado de São Paulo

Monumentos Geológicos (CoMGeo-SP)

O inventário geológico que levou três anos (2013-2015) para ser elaborado pelo Núcleo de Apoio à Pesquisa em Patrimônio Geológico e Geoturismo (GeoHereditas) conta atualmente com 142 geossítios (locais de importância geológica) selecionados para compor o Patrimônio Geológico do Estado de São Paulo.

O levantamento envolveu uma equipe de 16 pesquisadores, composta por geocientistas da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal da São Carlos (UFSCar), do Instituto Florestal (IF) e do Instituto Geológico (IG) do Estado de São Paulo e da Universidade Federal do Paraná (UFPR) – além de 13 outros profissionais da área de geociências.

Sob coordenação da Maria da Glória Motta Garcia, professora no Instituto de Geociências (IGc/USP), o Projeto teve assessoria do geólogo português José Brilha, do Instituto de Ciências da Terra da Universidade do Minho, em Braga, Portugal. O IG foi representado por 4 pesquisadores no grupo. O levantamento considerou o valor científico, pedagógico, cultural, turístico e o risco de degradação, de modo a estabelecer prioridades de manejo, proteção e conservação dos geossítios.

Entre os 142 geossítios selecionados para compor o inventário, 6 deles já tinham recebido o título de Monumento Geológico pelo Conselho Estadual de Monumentos Geológicos (CoMGeo-SP) da Secretaria do Meio Ambiente: Cavernas e Cartes do Vale do Ribeira, Varvito de Itu, Rocha Moutonnée, Cratera de Colônia, Pedra do Baú e Morro do Diabo.

Sobre os Monumentos Geológicos do Estado de São Paulo

– As Cavernas e Cartes do Vale do Ribeira onde se destacam a caverna da Tapagem, popularmente conhecida como Caverna do Diabo, com a maior extensão do Estado de São Paulo (8.262m), a caverna Casa de Pedra (com maior portal de entrada do planeta 215 m de altura) e a caverna Santana, uma das mais significativas do Brasil em termos dos seus espeleotemas (estalagmites, estalactites e formações rochosas similares).

– O Parque do Varvito foi criado onde ficava a Pedreira Itu, onde por mais de um século se extraíram lajes de varvito para a pavimentação das calçadas da cidade. Trata-se de um registro de lago muito antigo do período glacial. O varvito é uma rocha sedimentar composta de argila e silte. Neste caso, a pedreira era o fundo de um lago glacial, quando a região era coberta por geleiras em algum momento do Permo-Carbonífero (280 milhões de anos).

– O Parque da Rocha Moutonnée pode ser encontrado um dos mais importantes vestígios geológicos do país: a rocha moutonnée, um granito róseo com o formato arredondado, cuja imagem remete a um carneiro deitado (“mouton” em francês, significa carneiro; moutonnée: acarneirada). Essa rocha possui ranhuras em sua superfície que foram produzidas por fragmentos rochosos transportados por geleiras na Era Paleozóica (cerca de 270 milhões de anos).

– A Cratera de Colônia é uma proeminente feição circular resultante de provável impacto de corpo celeste (ocorrido há aproximadamente 20 milhões de anos), Localizada em Parelheiros, extremo sul de São Paulo, tem aproximadamente 3,6 Km de diâmetro. Sua estrutura é definida por um anel externo colinoso que se eleva a cerca de 125 m a partir do centro e a profundidade máxima de 450 m de sedimentos.

– A Pedra do Baú (1.950 m de altura) na divisa entre São Bento do Sapucaí a e Campos do Jordão. A montanha, na Serra da Mantiqueira, é formada por granitos e gnaisses muito antigos, pré-cambrianos (mais de 550 milhões de anos).

– O Morro do Diabo (600 m de altura), localizado em Teodoro Sampaio, no extremo oeste do estado, divisa com o Paraná. Foi formado por depósitos de arenito eólicos silificados por atividades geotermais ocorridas no período Jurássico (entre 85 e 80 milhões de anos).

A íntegra do artigo “Inventory and Quantitative Assessment of Geosites and Geodiversity Sites: a Review”, do Prof. José Brilha pode ser acessada AQUI (em inglês)